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terça-feira, 18 de julho de 2017

O SANGUE DO POEMA

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Ele derramou sem querer o vinho dela sobre aquele poema tão ruim que lhe passaram numa folha. O papel virou vermelho e as letras começaram a mudar de lugar. Quando o papel secou, já não havia poema, mas a receita em verso da felicidade. A seguir, recolheu os piores poemas que lhe foram enviando e começou a banhá-los em vinhos diversos que ela tinha na casa, só por experimentar. Conseguiu a receita da invisibilidade, a de respirar sob a água e outras que não pôde utilizar, porque as receitas em papel, para funcionarem, tinham de ser engolidas após serem metamorfoseadas graças ao vinho. Porém, ele era intolerante ao álcool e às rimas fáceis.

© Frantz Ferentz, 2017

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