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terça-feira, 18 de julho de 2017

DE FUMATORIBUS (I)

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«Meu amor, tu entendes isto? Desde que fumo este novo tabaco de enrolar que tu me trazes, não gosto nada de carne e só quero comer erva... Mas olha que gosto dele, vê-se que é de qualidade, tem de ser de importação», disse ele. Ela pôs cara de ignorante, por nada do mundo ia dizer ao seu homem que o tabaco que ela lhe fornecia era uma mistura de erva seca e estrume moído. Porém, aos poucos a ele saíram-lhe chifres e intercalava a sílaba "muu" no meio do seu discurso, mas eram cornos mui fofos, podiam-se rasurar com uma lâmina. Por nada do mundo ia ela deixar sem fumar o seu esposo para que ele se tornasse violento. Amava o seu homem assim, com aquel barrigão fofinho, e mais ainda como ele a beijava com beijos de vaca.

© Frantz Ferentz, 2019

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