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terça-feira, 30 de agosto de 2016

DIGNIDADE CANINA

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Ninguém compreendeu porque a cadela Lua se suicidara depois de o livro de poemas que o seu amo lhe dedicara ser publicado. Simplesmente, lançara-se para a rua de um quinto andar, numa noite sem lua.

— Ela era muito inteligente, entendia o que eu lhe escrevia —disse o seu amo com os olhos cheio de lágrimas.

Pois, a Lua era não só inteligente, mas também era sensível e tinha bom gosto literário, por isso, ela, a cadela, não quis chegar a ver os rostos dos leitores daquele poemário quando lessem versos a ela direcionados como aqueles que diziam:

Ves aquele pau ali plantado, Lua?
É un dedo que acena à lua,
a lua é como tu, Lua,
brincalhona e ladradora,
minha cara Lua,
astro com patas e olhada crua.

O animalzinho não pôde resistir tanta vergonha.

© Frantz Ferentz, 2016

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