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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

UM CONTO (MAIS) DA MAGIA DO NATAL


A Agustín Sánchez Antequera
por me pedir cousas impossíveis

— Mamá, aqui onde estou, está a nevar —disse o pequeno Agostinho pelo telefone.

—  Então, traz-me um pouquinho de neve, num frasquinho  — pediu ela.

E o Agostinho, todo contente, saiu para a rua e meteu toda a neve que foi capaz num frasquinho. Encerrou-o bem e a seguir meteu-o na sua mala. Assim, quando oito horas mais tarde estava de volta em casa, depois de beijar a mãe, o primeiro que fez foi tirar o frasquinho de neve para fazer aquele presente à mãe.

— Toma, a tua neve  ofereceu.

Mas o frasquinho, como era de esperar, apenas continha água. O miúdo ainda era pequeno demais para entender qual o comportamento das leis da física quanto à mudança de estado

— Mamá, já não há neve disse decepcionado.

A mãe agitou o frasquinho, pronunciou umas palavras num velho idioma, tirou a rolha e deixou que a água do frasco saísse, e enquanto caia, já se tornara faloupos de neve.

— E isso que é? — perguntou o pequeno Agostinho fascinado.

— É magia, meu rei — explicou a mãe feliz de ver o sorriso do filho.

Mas nesse instante bateram na porta. Tratava-se de cinco funcionários do Governo vestidos de preto, com óculos de sol também pretos.   

—  Senhora, vamos arrestá-la por fabricar neve sem permisso e com artes mágicas.

Quando o Agostinho viu que punham umas algemas à sua mãe, reagiu como filho de bruxa que era e emitiu uma poderosa luz que inundou a sala uns segundos.


*  *  *

Agora, ninguém se explica como fazem para a neve cair sem interrupção em pequenos flocos sobre o presépio familiar, como fazem para que seja neve real, que procede de uma nuvem com um frasquinho dentro e que flutua por cima do presépio. Mas o que os visitantes da casa entendem ainda menos é por que os cinco soldados romanos vestem fatos pretos e levam óculos de sol também pretos. 

Frantz Ferentz, 2014

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