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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

TUDO SE REDUZ À NATURA DOS BOMBONS


Encontras uma canção no Youtube e lembras-te de alguém que gosta do seu cantor. Pensas que depois de tanto tempo sem contato seria bonito teres um detalhe e enviares-lhe essa canção, porque a vossa amizade foi muito importante e ainda pensas na amiga com carinho. Então começas um curso intensivo de como transformar um vídeo para MP3. Dedicas três ou quatro horas a ler tutoriais e a fazer provas com programas que descarregas. Deixas de fazer muitas coisas nesse dia por converteres a canção em vídeo para formato de áudio, mas estás emocionado porque esperas que assim a amizade se reative. E finalmente, depois de quatro horas e meia, consegues converter a canção daquele cantor. E envias para a amiga da qual ainda conservas o seu número de telemóvel. E vês como ela recebe o presente, porque o diz o programa. E a amiga responde. Sentes-te emocionado. Lês a sua resposta:

«Obrigada, mas já conhecia esta canção».

E tu, que felizmente não consegues ver a tua própria cara de estúpido, ainda adicionas:

«Não faz mal, é apenas para a teres no telemóvel».

E pensas noutra coisa: «Oi, se parece que nevou...» E consolas-te a pensar que a vida, como dizia Forrest Gump, é como uma caixa de bombons, nunca sabes que sabor terá um bombom até não o provares. Mas tens que arriscar, e por vezes os bombons nem são mesmo bombons (e isso já não o dizia Forrest Gump).


Frantz Ferentz, 2014

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