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segunda-feira, 9 de junho de 2014

OS PESADELOS DO CORRETOR (6)

   A Filipa vai conhecer o Artur. No seu perfil nas redes sociais diz que é um homem que viu o que a grande maioria dos seres humanos não tem visto nunca, e nunca verão. A Filipa tem-se formado uma imagem dele como um aventureiro tipo Indiana Jones.
   A Filipa senta na mesa indicada no bar do centro. Perante ela senta um home miúdo, com casaco típico de professor universitário, óculos redondo e aspecto de intelectual.
   — Desculpa —diz a Filipa—, o de que tu tinhas visto o que a maioria dos seres humanos não têm visto era apenas uma escusa para teres um encontro comigo, certo?
   — Não —diz o Artur—. Eu nunca minto. Quando disse que tenho visto coisas que quase nenhum outro ser humano tinha visto não mentia, queria dizer isso, porque eu corrijo exames de acesso à universidade, e o que lá vejo, não há mente humana que possa imaginar nem descrever...

Frantz Ferentz, 2014

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