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sábado, 14 de dezembro de 2013

PRECIPÍCIO



Caio ao baleiro. A cada vez vou mais depressa. Não vejo o chão, mas o meu coração já bate de terror a pensar no golpe contra a terra. Quero berrar mas da minha boca não sai berro nenhum. Quero chorar mas tenho esquecido como é que se fai. De repente, soa o despertador. Acordo. Inconscientemente bato com a mão no despertador e este cai ao chão e estraga. Fico aliviado. Tudo fora um pesadelo.

O despertador, desde o chão, espeta-me com voz queixosa:

— É assim como me pagas por te ter quitado desse pesadelo?Agora vais ver...

De repente volto a me topar em queda livre, mas agora já vejo o chão e intuo que o golpe vai ser mortal...

Frantz Ferentz, 2013

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