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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O SEGREDO DOS CABELOS LOUROS


Cada noite que vinha totalmente bêbado, quando voltava à casa, agarrava a mulher e botava-a na cama para ter sexo com ela, brutal, implacavelmente. Depois de ejacular, caía adormecido e de manhã já não lembrava nada, até a seguinte bebedeira, em que voltaria a ser uma besta. De nada servia a ela tentar afastar aquele fedor a álcool e aquela força de animal que lhe esmagava as entranhas, enquanto ele lhe dizia com aquela voz etílica insofrível:

"Quanto gosto do teu cabelo louro, minha puta..."

Porém, surpreendentemente, um dia cessou toda luta dela. Já não houve oposição, já não houve umas mãos que detivessem aquela violência. Já o esperava passivamente o sexo na cama.

Ele morreu uma madrugada na cama depois de copular, exausto. Ao seu lado havia uma vassoira de pelos amarelos, envolvida em farrapos que tentavam reproduzir torpemente um corpo humano, com uma bola de goma na parte de embaixo que tinha um burato, dentro do qual se armazenava o sémen do homem. No rosto do homem havia um amplo sorriso. Morrera bêbedo, mas via-se que morrera satisfeito.


Frantz Ferentz, 2013




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