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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O PERCURSO DE UMA LÁGRIMA



"...e uma lágrima..." cantava Dulce Pontes. Casualidade? Talvez. A lágrima começava a descer pela cara, sim. E na mão, o telefone. No telefone uma pergunta: "confirm deletion?". Dulce Pontes continuava aquele fado tantas vezes ouvido, mas ao mesmo tempo tão real. No telefone, depois de um século contido em dez segundos, o dedo confirmou. O número ficava definitivamente apagado. Apagado para sempre. Aquele dedo sentiu que pertencia a um criminoso. O cérebro do homem largou uma porção de adrenalina. Para quê? Talvez para nada. Os lábios do homem tremeram. Não houve voz. A lágrima seguiu o seu percurso na procura de um hipotético mar ao final da boca. 

"Não te atormentes mais", disse-lhe a irmã". Não assassinaste o Mandela. Só enviamos o pai e a mãe a uma residência, já não moram lá, já não têm aquele número de telefone". 

O homem acompanhou a Dulce Pontes no Fado, no percurso da lágrima. Não havia fozes onde acabar. Tudo era pranto. Talvez não se sentiria tão mal se tivesse assassinado Mandela em vez de ter enviado os pais a uma residência. Talvez. Porém, só podia seguir o imprevisível percurso da lágrima que seguia a cair polo seu rosto.

Frantz Ferentz, 2013

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