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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O PESADELO DAS LUZES DO NATAL

Sempre odiei as luzes do Natal. Não odiava o Natal, mas sim toda essa parafernália de luzes que invadem tudo. Para mim a sua presença era motivo de fúria já desde a minha infância.

Naquele dia atravessávamos uma aldeia que era toda uma fila de luzes. Íamos visitar os meus pais e por causa de umas obras na estrada tivemos que tomar uma desviação e passar por uma aldeia por onde nunca passáramos. Faltava um mês para o Natal e aquela gente já fazia brilhar a aldeia como se fosse uma torta gigante. Acelerei, porque a minha ira habitual naquelas circunstâncias se duplicou. O meu homem tentava acougar-me, mas eu não queria ouvir, acelerei, para abandonar aquela aldeia o antes possível.

Estava para sair da aldeia, mas qual foi a minha surpresa quando, pelo espelho retrovisor, vi que uma massa de luzes me perseguia. O meu coração acelerou-se:

"A vossa magia não poderá comigo", gritei, enquanto o meu homem tentava tranquilizar-me cantando-me havaneras, mas nem assim.

Aquela era a visão que me tinha obsessionado desde a minha infância, ser perseguida pelas luzes do Natal, a correrem trás de mim, para me capturarem... E sim, naquela altura, a massa de luzes corria sempre trás de mim. Tomei uma decisão. Parei o auto. recuei e dirigi-me direita para a massa de luzes, que não esperavam aquela minha súbita mudança de direção. Passei por cima da massa de luzes.

"Hurra!", berrei, segura de ter matado todos os medos da minha infância.

Porém, uma parte das luzes ainda se pôs em pé e acostou-se a mim. E então pude ver que se tratava de um eletricista que tinha rodeado o corpo de cabos e quase sem voz dixo-me:

"Senhora, ainda bem que parou o auto, porque o cabo de luzes enrolou arredor do seu carro segundo a senhora passava pela rua e me arrastrou trás de si... Mas, por que não freou antes?"


Frantz Ferentz, 2013