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sexta-feira, 26 de julho de 2013

MOSQUITOS

Merquei o apartamento mais alto do ranha-ceus. Dixera-me o vendedor que naquele andar 66 era impossível que chegassem os mosquitos pola janela. O bairro estava submetido a umas estranhas correntes atmosféricas que a partir do andar 27 sopravam com muita força durante todo o ano e, ademais, frias, o qual impedia que os mosquitos voassem por riba daquela altura. Como os mosquitos foram desde a minha infância a minha obsessão (se cadra por mor do meu sangue extremamente doce), não hesitei em comprar aquele apartamento que, com efeito, ranhava os ceus.

Mas qual foi a minha surpresa quando, na primeira noite em que despertei nele já em pleno de mês de julho, encontrei que tinha o corpo coberto de picadas de infernais mosquitos. Decidim então, indignado de tudo, ir ter umas palavras com o promotor para me queixar amargamente, ainda que sabia que não me devolveriam o dinheiro do apartamento. E assim, premi no botão do elevador para descer à rua. E justo então, um mosquito acordou do seu sonho matinal ao lado do botão e voou errático por diante dos meus olhos para ir pousar num recanto do ascensor longe do meu alcance.

E então compreendim tudo. Os malditos mosquitos eram muito mais inteligentes do que eu nunca chegara a perceber. Como não podiam alcançar o alto do prédio voando, simplesmente apreenderam a tomar o elevador como os humanos.

Frantz Ferentz, 2013