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sábado, 15 de junho de 2013

PAI DIVORCIADO


A filha adolescente ligou para o pai divorciado:

— Papá, nesta fim de semana tampouco vou visitar-te...

— Mas, filha, já vai um mês que não vens...

— Não te queixes, que depois ficarei um mês contigo nas férias.

— Sim, e onze meses com tua mãe.

— Oi, a rede vai mal aqui, não te escuto.

O pai mordeu os lábios de abaixo, com a impotência que lhe supunha ter que ficar só mais uma fim de semana, sem a filha. A sua ex, que era implacável com o dinheiro da pensão, dizia: «É o que diz o juíz», porém, quando se tratava de cumprir o estipulado polo juíz sobre as visitas, então usava outro argumento: «Não se pode obrigar a rapariga a fazer o que não quer».

O pai divorciado ficou a olhar para a janela, com os olhos húmidos. A filha, ainda do outro lado da linha dixo:

— Á, esquecia dizer-che que preciso douzentos euros para fazer um curso no verão...

O pai divorciado deixou esvarar a lágrima que desde havia minutos lutava por sair. E então decidiu que, se não podia ter sua filha, adoptaria um filho. E sabia onde o encontrar.

Quando finalmente a filha adolescente apareceu pola casa do pai, dous meses depois, topou algo inesperado no seu quarto.

— Papá, por que hai um caixeiro automático no meu quarto?

O pai, sorridente, explicou-lhe:

— Não é exatamente um caixeiro, é uma máquina de banca automática. Chama-se Paulina e é a tua nova meio-irmã. Acabo de adoptá-la. Fai o mesmo que tu, pedir-me dinheiro, mas polo menos fica aqui comigo todo o tempo.

Frantz Ferentz, 2013

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