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domingo, 2 de junho de 2013

O SEGREDO DO CARDEAL

Novamente, perante os olhos incrédulos de milhares de crentes, uma pomba pousou no ombreiro do cardeal.

— É um santo, é um santo, é um santo! —berrava a multidão.

As câmaras de fotos e as da televisão recolhiam como se repetia o fenómeno de uma pomba a pousar no ombreiro do cardeal. O cardeal era um home santo, sim sem dúvida. E o home da Igreja retirou-se para o interior da balconada, depois de ter saudado o rebanho de fiéis.

— A pombinha do caralho não me cagaria enriba como a última vez, não? —perguntou o cardeal quando já estevo só ao seu assistente.

— Não, eminência —dixo submisso o assistente.

— Hei reconhecer que tiveches uma boa ideia para limpares a minha imagem de escândalo —dixo o cardeal ao seu assistente mentres quitava os sapatos e punha os pés enriba dun coxim, e logo começava a se deleitar com um copo de vinho—. Foi molesto deixar que essas pombas mensageiras, ao nasceren, tivessem o seu ninho no meu ombreiro, mas é verdade que cada vez que as ceivam, vêm direitinhas para mim... Se até eu próprio quase acreditaria que é um milagre.

E deu outro grolinho ao vinho tinto de sabor afrutado e regusto penentrante.

Frantz Ferentz, 2013

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