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quinta-feira, 6 de junho de 2013

O NETO DE GREGOR SAMSA

Franz Kafka nunca chegou a refletir na sua novela d'A Metamorfose que o Gregor Samsa chegara a pôr uns ovos antes de morrer. Mas fizo-o realmente. Aqueles ovos, devidamente envolvidos em panos, fôrom levados para fora da cidade de Praga e abandonados à sua sorte a uma prudente distância da cidade, numa zona despovoada. Porém, aqueles ovos eclosionárom e deles nascêrom os filhos monstruosos do Gregor Samsa.

Um neto escaravelho —ou o que for— do Samsa voltou a Praga. Antes sofrera uma metamorfose inversa pola qual se convertera em humano. O neto do Samsa passou a viver como um vagabundo nas ruas de Praga, alimentando-se do que topava no lixo e vestido só com plásticos.

Aprendeu a viver como os humanos e acabou odiando-os. Chegou à conclusão que eram uma raça que merecia o extermínio. Daquela tentou criar um exército de cascudas e escaravelhos que acabassem com a humanidade. Inteirara-se de que os coleópteros eram imunes às armas nucleares..., mas não à comida lixo. Ele teria gostado de dirigir a guerra contra a humanidade, ele, que no fundo era um coleóptero atrapado no corpo dum humano...

— Senhor Samsa —dixo-lhe o psiquiatra da polícia depois de ser detido por estar a viver como um sem-teito—. Eu já sei qual é o seu problema, nem precisa dizer-mo.

— O senhor crê?

— Certo. É o seu corpo. Está atrapado num corpo que não lhe corresponde. E eu vou ajudá-lo.

O psiquiatra fizo internar o Samsa num psiquiátrico. E ao cabo duns meses, foi submetido a uma operação de mudança de sexo. 

Frantz Ferentz, 2013

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