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segunda-feira, 10 de junho de 2013

APRENDENDO DO MESTRE

O douto poeta olhava seriamente para o aprendiz de poeta, aquele mocinho com barba de três días que o escutava repousando na popa do moliceiro.

— A poesía tem que falar por si —dizia o douto poeta—. O poema fala para o leitor, só...bla, bla, bla... porque não é tanto o que diz, senão o que inspira... bla, bla, bla..., deixamos sair a palavra despida e senm ranhuras... bla, bla, bla... a gente deixa-se levar polo poema..., bla, bla, bla... de modo que essa é a clave. —concluíu o monólogo depois de dez minutos, justo quando o moliceiro tocava a ourela—. Aprendiches algo, não?

O poeta jovem, que não parara de olhar aos olhos do poeta douto só assentiu novamente com a cabeça. Graças ao douto poeta, fora capaz de aprender a desenvolver a capacidade mental mais incrível do ser humano: a de desligar o cérebro e assentir mecanicamente com a cabeça, sem inconsicentemente dizer: "aborreço..." E sim, nunca, nunca seria grato demais ao douto poeta por lhe ter aprendido aquela lição vital para o futuro.

Frantz Ferentz, 2013

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