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domingo, 24 de fevereiro de 2013

PARANOIAS DO CORRETOR (3)

Eu passeava com Sócrates, o filósofo, por aquel jardim perfeitamente cuidado. Ia um día de sol esplêndido, a temperatura era deliciosa. De quando em vez, da que eu mantinha aquela conversa com Sócrates, outros filósofos da história da humanidade cruzavam-se connosco. Todos inclinavam a cabeça respeitosamente perante o mestre. Cruzámo-nos com Kant, Descartes e Marx em poucos minutos. Por fim alcançara o meu sonho, chegar ao paraíso dos filósofos. Trás a minha morte, aguardava-me gozar do conhecimento absoluto ao lado das mentes mais prodigiosas da história da humanidade...
   — Ah, Pedro, abre já os olhos, que nom podes passar a tarde a dormir com todos os exames de filosofía que tens pendentes... —berrou-me a minha dona desde a cozinha.
   Erguim a cabeça. Adormecera dentro dum exame que falava dos socráticos. Nom sei como acabara ali dentro, mai tal acontecera. Mesmo assim, o meu primeiro pensamento foi chumbar aquele exame que descrevia o Sócrates como un gordecho simpático e calvo. Si, chumbaria-o, se é que conseguía escapar dele.

Frantz Ferentz, 2013

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